Indicações ministeriais feitas pelos filhos do presidente também são um modo de fazer política; aliás, são nomeações menos transparentes do que aquelas advindas de partidos

Há quem ache um absurdo uma indicação política sair pelas mãos de um partido, por exemplo, para um ministério. Mas uma nomeação por este caminho não necessariamente será despida de caráter técnico. Os partidos têm quadros para tanto.

No caminho inverso, uma indicação fora das linhas partidárias não implica em ser esvaziada de política. Trata-se da geração dela por outros percursos.

A queda do general Santos Cruz e a ascensão de Jorge Antonio de Oliveira Francisco à Secretaria-Geral da Presidência veio pelas mãos de Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. Os filhos do presidente são amigos de infância do novo ministro.

Lógica semelhante imperou na alteração no comando do BNDES. A substituição de Joaquim Levy por Gustavo Montezano também passou pelo rebento de Bolsonaro.

A multiplicação de indicações familiares também representa um tipo de produção da política. Provavelmente, com menos controle na seara levantada e menor capacidade de produção de agenda governativa do que pela linha partidária.

Em termos de transparência e representatividade, os interesses protegidos por uma agremiação são mais legítimos do que os dos filhos do presidente. Aliás, em outros tempos, este jeito de fazer política tinha um viés mais depreciativo.

 

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