Natal foi uma grande Prevent Senior durante a pandemia

Com a apresentação do caso pela CPI da Covid no senado, mais pessoas estão conhecendo o que representou de fato a Prevent Senior durante a pandemia. Empresa de plano de saúde para idosos, tida como um exemplo de sucesso nas redes bolsonaristas, distribuiu cloroquina, ivermectina e azitromicina, sem qualquer parâmetro, para os seus pacientes. Matérias recém veiculadas na imprensa nacional e que podem ser encontradas aqui no blog dão conta de pesquisas aplicadas pela empresa com os medicamentos sabidamente ineficazes sem o consentimento dos usuários. Médicos eram obrigados a receitar os remédios, mesmo contra as suas vontades e sem sequer existir uma comprovação através de exame de que o paciente estava de fato doente de covid-19. As mortes ocorridas foram ocultadas pela organização.

Natal também foi uma Prevent Senior. Só que em proporção maior. O próprio Prefeito da cidade, Álvaro Dias, receitou publicamente o uso continuado de ivermectina em rádios e outros veículos de imprensa, alegando que o remédio protegia contra covid-19. Mentiu em outras oportunidades sob a alegação de que existiam evidências científicas para tanto. Bastava ir a um centro covid para sair com uma penca de remédios ineficazes contra a doença.

No início minoritários, os críticos foram enquadrados como aqueles que eram a favor da doença e das mortes, enquanto que de fato a falsa sensação de segurança gerada pelo remédio contra o coronavírus jogava na rua os crentes nos poderes mágicos da ivermectina, levando-os aos hospitais e aos óbitos. Pesquisa feita pelo LAIS/UFRN durante todo o mês de março de 2021, com todos os pacientes covid internados no RN, constatou que mais de 70% dos casos graves tinham feito uso da ivermectina.

O Conselho Regional de Medicina e a Associação dos Médicos do RN se associaram à política de distribuição em massa de mata piolho. O CRM nunca inspecionou a sua própria regulamentação legal 04/2020, que só autorizava a prescrição de ivermectina mediante consentimento por escrito do paciente. A AMARN chegou a fazer um seminário em que apresentou fake news sobre a comprovação da profilaxia com o medicamento para gado.

Com números bem acima da média estadual e nacional, membros da prefeitura do Natal e do comitê científico municipal alardearam, em diversas ocasiões, o sucesso da política e que estavam preparando a apresentação de artigo científico sobre o case Natal diante do coronavírus. Por motivos óbvios, o estudo nunca apareceu.

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