Natal: quando o mau jornalismo mata

A semana passada foi marcada em Natal pela circulação de falsos estudos sobre a eficácia da ivermectina contra a covid-19. A capilaridade da publicação não aconteceu apenas pelo whatsapp, mas parte da imprensa local deu legitimidade as fake news.

O Estado de São Paulo fez matéria sobre a divulgação de páginas sem qualquer credibilidade científica como estratégia de validação do mito da ivermectina e da cloroquina no Brasil. Leia aqui.

A agência de checagem aos fatos também. Leia aqui.

A Folha de São Paulo também. Leia aqui.

Não existia qualquer desculpa. Era abundante a informação de que sites como c19study, ivvmeta.com e outros publicam puro lixo em termos de ciência. No entanto, rádios, jornais e blogs difundiram com ar triunfante.

Já está bem catalogado o fato de que ideias negacionistas e falsas promessas de proteção têm efeito mortal numa pandemia.

Leia aqui.

E aqui.

Cabe observar também que os grupos de whatsapp de Natal viraram um espaço de circulação de casos de pessoas que morreram porque foram enganadas pelo mito da ivermectina. Há uma dupla tragédia. A morte em si e a reiteração disso por quem deveria informar, mas segue espalhando falsos estudos, estatísticas, etc.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Agência de Saúde dos EUA (FDA), A Organização Mundial de Saúde, todas as associações e sociedades nacionais de medicina do Brasil e de fora, o fabricante e as revistas mais prestigiosas já emitiram comunicados contra e/ou ineficácia do uso de remédios prometidos como milagrosos em Natal. Em resumo, o mundo simplesmente não utiliza ivermectina, cloroquina, etc, contra covid-19. Estranhamente, todos esses comunicados receberam menos destaque na imprensa majoritária local do que fake news.

Escrevo tal situação para desenhar: não é só o vírus em si que mata. Ele encontra fortes aliados naqueles que propagam falsas informações, principalmente numa situação de calamidade de saúde pública como a que estamos vivendo.

Uma hora tudo isto vai passar. E cabe citar a desmoralização enfrentada por jornais, médicos e jornalistas que propagaram falsos tratamentos e respostas contra a gripe espanhola há 100 anos. Seus maus exemplos estão devidamente descritos nos livros de história até hoje.

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