Operação da PF, CGU e MPF sobre possíveis desvios no hospital de campanha de Natal é mais um alerta contra o silêncio que imperou sobre a estratégia de enfrentamento da pandemia na cidade

O que acontece hoje em Natal é um tapa na cara de muita gente. A Polícia Federal, A Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal deflagraram operação que combate desvios de recursos na compra de respiradores no hospital de campanha de Natal. As denúncias, sempre relativizadas, não vêm de hoje.

Acusações de fura fila de UTI durante os picos da pandemia e de favorecimento de empresas de parentes no hospital de campanha de Natal foram ofuscadas. A prefeitura do Natal não seguia a fila de leitos fiscalizada pelo MPF.

A escancarada politização de decretos para tentar embalar uma possível candidatura ao governo do RN em 2022 não recebeu o devido tratamento: uma brincadeira com a vida dos natalenses. Nunca existiu uma estratégia para a abertura da economia na pandemia. Estava claro como a luz do sol que a única intenção era tentar produzir uma polarização contra Fátima Bezerra. A motivação era ir no caminho distinto do governo estadual com viés meramente eleitoral. A possível alta de casos que esperasse.

E as cotidianas mentiras sobre a proteção contra covid-19 pela ivermectina? O prefeito de Natal receitou vermífugo contra o novo coronavírus em rádio aberta, alegou que o mata piolho oferece a mesma proteção do que vacina e fez uma distribuição em massa de comprimidos, sob o argumento de que iria imunizar o povo. Conforme as diversas pesquisas já veiculadas no Brasil e lá fora, quem acredita nessa falsa recomendação tem mais chance de morrer do que quem é cético com relação a lorota. Motivo: perde o medo da doença e se expõe mais. Tudo com o obsequioso silêncio do conselho regional de medicina do RN.

A prefeitura do Natal distribuiu testes sem nenhuma estratégia e serventia, apenas para dizer que fazia testagem em massa no momento em que Álvaro Dias buscava sua reeleição. O Ministério Público Federal e Estadual fizeram críticas e recomendações, dizendo que aquela prática era sinônimo de desperdiçar um recurso precioso, além do que, no mesmo momento, o insumo faltava nas UPAs da cidade. O MPF e MP levaram pau na esfera pública por fazerem o seu trabalho.

Não há nenhum pré-julgamento aqui. A prefeitura terá todo tempo e espaço para se defender e demonstrar o contraditório. Mas salvo a atuação de alguns poucos vereadores e jornalistas, falta luz sobre a atuação da prefeitura do Natal, pois ela nunca teve uma estratégia clara de atuação se imaginada pelo viés exclusivo do enfrentamento da doença. É esperar que agora algo mude no reinado da taba, até porque o jeito estabanado, carregado de politização e erros, permanece com a vacinação.

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