Os estudos e exemplos comparativos mostram: não é o isolamento, mas o vírus que deprime a economia

Quem quer acabar com o isolamento social e luta contra uma perspectiva de lockdown alega que é preciso salvar empregos e a economia. Ora, é uma forma de atentar para o fato mais visível vivenciado pelos agentes e apelar para o desespero da pessoas contra, na verdade, a única política eficaz para achatar a curva de contágio, não colapsar o sistema de saúde e salvar vidas. Mas não há um único estudo demonstrando que é o isolamento que deprime a economia, mas a pandemia.

ESTUDOS COMPARATIVOS

Foram feitos estudos comparativos entre estados (ou entre países) que mantiveram isolamento e os que se fecharam para controlar o ritmo da pandemia. A quantidade de mortes foi muito maior entre os que não fizeram isolamento e eles não obtiveram nenhum ganho econômico.

A Suécia não fez isolamento e Dinamarca e Finlândia fizeram. A comparação entre eles é interessante porque são países escandinavos com características semelhantes. O infográfico abaixo não deixa dúvida. A Suécia enfrenta uma taxa de mortalidade muito maior, com queda econômica idêntica e mesma dificuldade de recuperação.

Fonte: Valor Econômico

Há diversos estudos já publicados e que estão ao alcance de todos. Por economia de espaço, postarei mais um aqui.

Por fim, nesse aspecto, vale comparar o Brasil com seus estados vizinhos. Eles empreenderam duras ações de isolamento social, ao contrário do Brasil em que o presidente age contra a ação. Resultado: muito menos mortes e a implementação de medidas de relaxamento do isolamento (leia aqui).

A China fez isolamento duro, fez testagem em massa e controlou a pandemia. Já voltou a crescer. Os EUA ignoraram, demoraram a fazer o isolamento e já se aproximam dos 100 mil mortos. Não há qualquer horizonte de retorno da economia e as perdas serão muito maiores.

CONSUMIDOR MORTO, COM MEDO OU PERDENDO RENDA NÃO CONSOME

A questão não é o isolamento, mas o fato de que, diante da perspectiva de morte, as pessoas não consomem. Um consumidor, em um cenário de incerteza e perdendo renda, também não adquire produtos. E essa cautela não é gerada pelo isolamento, mas pela circulação de um vírus mortal.

Há, inclusive, a recomendação por parte de agências de risco para que investidores não empreguem seus recursos em países que não estão sabendo enfrentar a pandemia. O Brasil é apontado nesse exato sentido (leia aqui). E a questão é óbvia: qual o investidor privado irá colocar recursos numa região em que as pessoas estão morrendo em massa e não há qualquer segurança, mesmo sem isolamento, para sair na rua?

Quem tenta controlar a pandemia, estabilizando os casos, é quem de fato trabalha em prol da economia. A agenda tem, na verdade, desmembramentos políticos. Como dormiu completamente no ponto durante dois meses em que já estava claro que o problema era grave e chegaria no país, o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores tentam eclipsar a situação se colocando como defensores do emprego e responsabilizando governadores e prefeitos pelas políticas de isolamento, como se elas fossem o contrário da retomada da normalidade.

Sugiro um exercício de reflexão para debelar de vez a falsa questão. Você, caro leitor, é de um grupo de risco, mora com pessoas de grupo de risco e/ou se encontra perdendo renda num cenário de incerteza (ou seja, quase totalidade da população brasileira); você trocará o seu carro? Sentará num restaurante para comer em plena expansão da pandemia? Passeará num shopping, sabendo que, se adoecer, não haverá mais leitos de UTI para lhe abrigar? Entendeu porque debelar a pandemia é fundamental, inclusive para retomar a economia?

A saída, tomada pelos demais países, é de sustentação dos pobres e financiamento para pequenas e médias empresas, inclusive com a perspectiva posterior de aumento de impostos sobre quem pode pagar mais.

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