Por que a oposição está desarticulada no RN

A oposição no Rio Grande do Norte ao governo estadual segue desarticulada. Já as portas do mês de Março do ano eleitoral não conta com um pré-candidato competitivo para chamar de seu. No máximo, alguns balões de ensaio murchos. Listarei a seguir os pontos e as razões para tal contexto.

A COMPARAÇÃO ENTRE A ADMINISTRAÇÃO ATUAL E A ANTERIOR ATRAPALHA A OPOSIÇÃO

Qualquer candidato da oposição, principalmente da base bolsonarista hoje também residência para membros da administração estadual anterior, terá de enfrentar a comparação que Fátima Bezerra inevitavelmente produzirá entre ela e Robinson Faria. O fato de ter arcado com quatro folhas abertas, o equivalente a duas pontes Newton Navarros em valores atualizados, cria um debate bom para a atual gestão já de partida. Desfazer tal ponto de análise não será problema simples para quem deseja enfrentar Fátima. Hoje, o governo é bombardeado diuturnamente na imprensa, sobretudo a de Natal. Mas na eleição a coisa muda e o amplo tempo de Tv, além dos debates, criam uma janela que a imprensa terá pouco poder de interferência.

BOLSONARO É UMA ÂNCORA PARA QUALQUER CANDIDATO QUE BUSQUE HOJE O GOVERNO DO RN

A oposição ao governo é, como disse antes, filiada ao bolsonarismo. E o presidente Jair Bolsonaro conta no estado com mais de 60% de desaprovação, conforme todas as pesquisas. É uma bigorna difícil de carregar num estado de base lulista. Ninguém quer ser candidato tendo que defender o discurso antivacina do presidente, a crise econômica, fome e inflação. Trata-se de uma barca furada.

O PRINCIPAL PROJETO DA OPOSIÇÃO É ELEGER ROGÉRIO QUE QUER UM BOI DE PIRANHA PARA A SUA TRAVESSIA

O projeto da oposição tem como centro o desejo de Rogério Marinho em ser senador. Ele queria ser, lá atrás – recorde, leitor, das notícias de 2019 e 2020 -, candidato ao governo, mas percebeu que não daria para ele. E o que ministro procura é, na verdade, alguém que se sacrifique na cabeça de uma chapa para ele tentar chegar a casa legislativa que representa a federação. Com oito anos, teria como pensar em ser governador em 2026. E aí surgem dois tipos de bois de piranha. O primeiro é aquele magrinho que não será suficiente para a travessia. Daí nomes como os de Tomba, Benes e outros já terem sido rifados. Há carência de musculatura. E o segundo é gordo e forte, capaz de ajudar Rogério nas suas intenções. Só que para quê alguém vai jogar fora seus interesses eleitorais em 2022 apenas para servir de tapete para o ministro de Bolsonaro? Carlos Eduardo, Alvaro Dias e agora Ezequiel já deram todos os sinais de que querem o governo, mas não são burros. Não irão declinar de suas pretensões só por Rogério.

CONSEQUÊNCIAS

Um vácuo está posto no Rio Grande do Norte. Isto porque, um polo está ocupado por Fátima Bezerra e o outro segue sem pretendentes. Daí vem o perigo para a oposição. Não está dado que o contexto é de tranquilidade para eles. Se o senador Styvenson não fosse tão lento, ele já estaria bem alojado em tal espaço. Mas uma hora o já anunciado pré-candidato ao governo irá se tocar sobre os contornos do cenário e não é inverossímil supor que a oposição de base bolsonarista, em sua letargia, termine em 2022 na terceira posição no pleito, portanto fora do segundo turno.

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