Quem tem razão na disputa entre Governo do RN e a Prefeitura sobre a pandemia em Natal?

Já respondo de cara: nenhum dos dois. Vou justificar.

Há jogo de empurra local entre partidários do governo do RN e da Prefeitura do Natal diante da pandemia. A Prefeitura e os seus têm utilizado mais a tática pela proximidade da eleição. Tentam institucionalizar a lógica: conquistas são minhas, problemas são dos outros. O governo reage porque até problema em UPA, que é de absoluta responsabilidade da prefeitura, jogam em sua conta.

A situação gerada pela pandemia é nova e, de uma forma geral, tanto Governo como a Prefeitura, mesmo diante do desconhecido, não têm se omitido. Pegam seus recursos, abrem leitos e procuram incentivar a efetivação de medidas sanitárias contra a pandemia. A prefeitura se omite no último quesito para não deixar evidenciado que jogou contra o isolamento, abrindo o alecrim e as feiras livres. O prefeito Álvaro Dias diz que é a favor do isolamento, mas não atua em prol da política de forma efetiva. Há elemento estratégico eleitoral aí: ele quer os ganhos do isolamento social, que desafoga a parte que lhe cabe na saúde, mas não quer o ônus que terá pela pressão que sofre do comércio local. Dias joga, de longe, com Bolsonarismo x Antipetismo.

Mas, cabe repetir, de uma maneira geral, apesar de erros pontuais sobre o imponderável, é o que Prefeitura e Governo podem fazer. O federalismo brasileiro é todo centrado na figura da União em termos de recursos e capacidade de implementação de ações. A política nacional de saúde, fronteiras, testes, compra de respiradores (centralizada pela União desde março), tudo é responsabilidade do governo federal. E é este que vem devendo, desarticulando forças e quando age é pra bagunçar tudo. Por isso Bolsonaro hoje é apresentado como o presidente perante o mundo que pior respondeu aos desafios trazidos pelo coronavírus.

Narrar a situação da pandemia pela ótica do Governo ou da prefeitura do Natal implica em deixar secundarizado quem, de fato, articula em favor do caos. E é por isso que, ainda que entenda a equação do combate local, ele não reflete a distribuição das responsabilidades sobre a Covid por aqui.

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