Rosalba: recue e feche o comércio de Mossoró antes que seja tarde demais

A cidade de Mossoró concentra 1/4 dos óbitos pela covid-19 no Rio Grande do Norte e crescimento no número de infectados. Conforme matéria da Tribuna do Norte recém publicada, que rodou todos os grupos de whatsapp, o nosso estado tem cerca de 90% dos leitos ocupados e, mais uma vez, Mossoró se destaca negativamente: sua rede hospitalar já funciona com 92,5% da sua capacidade. Ou seja, já ingressa no contexto de colapso.

A prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini, em decretos municipais abriu mais o comércio. Contrariou recomendação do governo do RN, que tem sido mais rígido a respeito do tema e a prática por exemplo do prefeito de Natal, Alvaro Dias, que preferiu seguir e alinhar ações de isolamento com as da secretaria de saúde do RN.

A pandemia é silenciosa. A abertura do isolamento não gera efeito imediato e produz falso efeito de normalidade. As consequências só vêm 14 dias após o ato, período em que as manifestações severas aparecem.

Conforme pesquisa por movimentação de smartphone feita pela InLoco, Mossoró apresenta inacreditáveis 37% de isolamento social, isto é, quase vida normal. Todas as sinalizações políticas do município estão contribuindo para a construção meticulosa de uma tragédia.

Rosalba, a senhora é médica e sabe que não há como vencer uma pandemia agindo contra recomendações técnicas. Tais critérios são públicos. Use seu conhecimento a respeito da ciência que é formada, recue e feche o comércio de Mossoró. Não estamos diante da peste do século XIV contra qual nada praticamente se sabia na época. São mortes evitáveis.

Rosalba, não deixe margem para expor o povo que a doutora lidera ao risco. É melhor se pautar pela cautela protetora do que pela carência de comedimento que colocará todo mundo na boca do furacão. Talvez ainda exista tempo.

CRISE DE DEMANDA

Significa um sinal dos tempos ainda ter de utilizar argumentos econômicos diante da perda iminente de vidas humanas, a partir de uma condição evitável e de extremo sofrimento. Mas vale lembrar que nossa crise é também de demanda. Os shoppings que abriram pelo Brasil não estão atingindo 20% da sua capacidade de venda e por uma questão óbvia: quem vai comprar sapato ou carro em um cenário de incerteza? A culpa não é do isolamento, mas do vírus. Não há economia com uma patologia mortal circulando nas ruas. Controlar o coronavírus também é uma forma de voltar à normalidade mais rapidamente pelo viés tratado.

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