Segue a contradição: o carnaval deve ser cancelado; mas pode entrar no Brasil sem comprovar de que foi vacinado

A contradição lógica permanece. O governo federal pede o cancelamento do carnaval, que ocorrerá daqui há mais de 80 dias. Porém, hoje é possível entrar no Brasil sem se encontrar vacinado. Nas barreiras sanitárias internacionais não é preciso apresentar passaporte vacinal. Vacinados não apenas agravam menos, como transmitem menos o vírus gerador da covid-19. A entrada da nova variante Omicron está vindo por esse vácuo.

O antagonismo demonstra que não há preocupação de fato com a pandemia. A briga do presidente Jair Bolsonaro é contra o carnaval e não é de hoje. Antes mesmo do aparecimento do novo coronavírus, ele fez postagens contra os festejos e apoiou medidas anti-carnaval no Rio de Janeiro do seu aliado e então prefeito Marcelo Crivela. Trata-se, na verdade, de uma sinalização para os públicos evangélicos mais radicais.

Daí o absurdo – pode entrar sem vacinação no Brasil, cobrar vacinação dos brasileiros é errado, vamos comemorar Natal, ano novo e carnatal aqui em Natal. Porém, carnaval não pode. Não há critérios epidemiológicos que fale em fechamento ou abertura. Só preconceito religioso coberto por preocupação seletiva.

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