Sem desfazer o mito da ivermectina, os natalenses não cumprirão os protocolos sanitários

Conforme pesquisa realizada por este blogueiro em Natal e que será publicada como texto acadêmico, 70% dos cidadãos acham que ivermectina previne covid. 45% acreditam que cloroquina cura covid. Para essas pessoas, os protocolos são supérfluos porque elas acham que estão protegidas. É o nível da irresponsabilidade que se espalhou pelo RN, através dos grupos de whatsapp. É o contexto local do obscurantismo.

Não adianta pedir para que as pessoas não façam festinhas, se foi dito a elas que elas estão protegidas. As pessoas vão fazer e sem nenhum protocolo.

A opinião de um médico, principalmente se ele está próximo do cidadão, pesa. E a pseudociência da ivermectina recebeu todo o espaço possível, sem contraditório, em Natal. E aí não adianta aliviar as pessoas com uma mentira e alertar com outras informações, cobrando responsabilidade. Para parte dos potiguares, ter responsabilidade é gastar seu mísero dinheirinho com ivermectina e, se adoecer, tomar cloroquina. É a tragédia inflada.

A única forma de fazer com os potiguares cumpram os protocolos sanitários é dando a eles a informação correta. Por exemplo, esta semana a organização mundial de saúde atualizou a cesta de estudos mundiais sobre remédios contra covid. E, mais uma vez, cloroquina e ivermectina, conforme estudos randomizados, demonstraram ineficácia. O mundo já abandonou tais drogas contra o coronavírus. É uma informação com fundamento e mereceria destaque caso alguém queira de fato que as pessoas usem máscara e pratiquem o distanciamento.

É fundamental desfazer o mito da ivermectina, demonstrar que são falsas as afirmações de que Natal é um caso ímpar, bastando comparar a dita cidade do sol com o que ocorre nas demais capitais do país, para verdadeiramente conscientizar os potiguares.

Aliás, essa seria a maior contribuição contra a Pandemia por quem municiou a nossa sociedade com uma perspectiva falsa. Voltar atrás e demonstrar que não há remédio direto contra Covid-19, retirando do horizonte dos sujeitos uma informação que levou milhares a erro. Do contrário, falar em protocolos de segurança é jogar dinheiro e tempo fora.

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