Sobre a banalização do escândalo no governo Bolsonaro

Apenas esta semana a esfera pública nacional foi bombardeada por notícias como:

  1. Governo interferiu na produção das questões do ENEM, o que indica que as provas passaram por escrutínio político e controle ideológico e ocorreu vazamento;
  2. O guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, após furar a fila do SUS para vir dos EUA se tratar na saúde pública que chama de comunista, por não ter dinheiro para pagar a saúde privada do país em que mora, fugiu do Brasil para não ter que atender a intimação da polícia federal e prestar depoimento no inquérito das milícias digitais. Há a possibilidade dele ter recebido ajuda do governo;
  3. O ex-lider do governo, o deputado federal delegado Waldir (PSL), alega que foram pagos 10 milhões em emendas secretas pelo governo, para garantir a vitória de Arthur Lira à presidência da câmara;
  4. Sara Winter, ex-lider digital radical da militância bolsonarista, deu entrevista em que diz que recebeu ajuda de deputados bolsonaristas e do General Heleno, um dos principais nomes do governo, para promover ataques contra o Supremo Tribunal Federal;
  5. Em quase todos acontecimentos acima, há a participação política da Polícia Federal, que foi apontada como aparelhada numa gigantesca investigação veiculada, ainda no início da semana, pela Revista Piauí.

Trata-se de uma banalização do escândalo. Qualquer dos fatos narrados acima, geraria uma crise governamental numa administração normal. Ocorre que, com Jair Bolsonaro, o que temos é tamanha gestão fora da rota que o absurdo passa o normal do dia a dia. As pessoas são anestesiadas pela rotinização do despautério – em atos, acontecimentos e discursos -, com a consequente paralisia das instituições.

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