Sobre a bondade cega e suas consequências concretas

SOBRE A BONDADE CEGA E SUAS CONSEQUÊNCIAS CONCRETAS

As consequências dos resultados de nossas ações não estão atreladas às bases valorativas que sustentam a intenção inicial. Legitimar uma atividade porque a ideia era boa de partida esvazia os possíveis efeitos deletérios concretos. Pessoas matam, dominam e rompem com a lei por causas nobres.

Veja a consequência concreta de por o bem maior acima de tudo: a tentativa de emparedamento por parte da operação lava jato do sistema político, com centenas de acusados, não gerou, nem de longe, 1/10 de processos formais. Mas, ainda assim, transmitiu uma mensagem à sociedade de que tudo estava podre. O eleitor respondeu elegendo alguém como Bolsonaro.

Os procuradores da Lava Jato não pararam na nada modesta – e antidemocrática – busca pela reforma da política. Romperam com os direitos de pessoas, arregaçaram instituições e, diante da aparente inevitável impunidade, perseguiram autoridades tidas como desafetos. Os últimos diálogos veiculados da chamada vaza jato demonstram o nível da arapongagem paralela que se formou na “república de Curitiba”. Até ministros do STF foram investigados sem qualquer sustentação legal.

(A leitura do livro do procurador Deltan Dallagnol revela uma figura fundamentalista, uma espécie de Antônio Conselheiro da cruzada antissistema sujo.)

A certeza de que tornavam o mundo melhor criou uma auto-imagem super positiva sobre si próprios. Isto autorizou a ganhar bastante dinheiro com palestras concedidas às escondidas para acusados da lava jato. Era como se raciocinassem assim: “somos os mocinhos, uma grana por fora não passa de recompensa”.

Que a gente aprenda com o exemplo. Não se combate à corrupção com corrupção. Do contrário, será apenas a substituição de grupos alojados no Estado que agem à revelia da lei por outros de igual condição.

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