Sobre os potiguares que têm ódio do que representam e não se aceitam

Morei em Osasco (SP) dois anos quase vizinho a um clube de xadrez. Curioso para aprender, meus primos, que já jogavam há anos, diziam que eu não poderia praticar o esporte porque não era para nordestino. Depois que passei a ganhar deles e a participar de competições pelo clube, saí da condição de burro para metido.

Nada fora da curva. Lá as piadas são cotidianas e visam lhe animalizar, como se você não fosse portador da capacidade de pensar. Nordestinos são representados como jumentos de carga, meros trabalhadores desprovidos de intelecto. A ridicularização do que nós representamos é frequente. Pedem para que você repita expressões como um palhaço de circo.

Só alguém que aceita muito confortavelmente este discurso pode fazer brincadeiras de péssimo gosto com o sotaque da governadora Fátima Bezerra. Nada tem a ver com crítica, atitude normal e legítima das democracias.

A circulação de vídeos com ataques jocosos nas redes sociais contra um sotaque, que é o da maioria dos potiguares, é puro suco de ódio e só pode vir de pessoas que têm a mente colonizada pelo discurso – falso – do dominador de que o Nordeste é a caracterização do atraso. Não há mais disputa política aí. O assunto é para psicanálise. Trata-se de raiva, da carência de orgulho próprio, um narcisismo às avessas. Quem concebe o mundo assim precisa começar a se aceitar.

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