Toffoli deixou todo mundo em xeque

O ministro Dias Toffoli atendeu a um pedido de Flavio Bolsonaro para suspender as investigações que vinha sofrendo. Ele aceitou a alegação de que o órgão acusador, o ministério público, acessou dados das movimentações bancárias do senador sem autorização da justiça. O escrutínio financeiro a que foi sujeito dependeria do aval do judiciário, ponderou o ministro.

Toffoli aproveitou o momento para produzir um freio de arrumação contra concorrentes na luta pelo poder. Ele e seus pares já queriam impor uma derrota como a narrada há bastante tempo. A receita federal vinha investigando membros do próprio supremo. Os ministros já sinalizavam com o questionamento de tais ações.

Bem, ao alegar defesa do estado de direito e proteção da constituição contra possíveis abusos das instituições de controle, Toffoli o fez sem que a base do governo pudesse argumentar. Afinal, é o filho do presidente. E também gera algo que não é antipático para a principal agenda da esquerda: a do Lula Livre, próxima do fortalecimento das garantias individuais.

Claro, ele contraiu a antipatia de parte da população. Porém, a proteção da classe política será um bom escudo.

Caro leitor, não estou concordando com o ato do Toffoli. Só enfatizo a engenhosidade estratégica da atuação do dito cujo. E saliento: as reclamações do Ministério Público são justas. O tema precisaria, na melhor das hipóteses, de mais debate, pois a canetada do Toffoli, de forma monocrática e em um plantão, ameaça inúmeras outras investigações em curso.

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