Vitamedic diz promoveu ivermectina junto aos médicos sem um estudo sobre eficácia para Covid-19

Na Tv Cultura – Uol – Em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (11), o empresário Jailton Batista, diretor-executivo da farmacêutica Vitamedic, afirmou que a empresa nunca conduziu estudos para avaliar a eficácia da ivermectina para o combate do novo coronavírus.© Reprodução/Flickr Senado

Mesmo assim, a farmacêutica custeou a publicação de um anúncio veiculado nacionalmente chamado “Manifesto pela Vida”, o qual defendia tratamentos sem eficácia para a Covid-19 – entre eles, citava a adoção da própria ivermectina.

De acordo com documentos obtidos pela CPI, a Vitamedic pagou pela veiculação de anúncios nos principais jornais do país. As peças publicitárias eram atribuídas ao grupo Médicos pela Vida e defendiam o uso de cloroquina, ivermectina, zinco e vitamina D. 

De acordo com Batista, foram pagos R$ 717.000 para a divulgação do manifesto. Segundo ele, o material foi patrocinado a pedido do Médicos pela Vida, grupo que propagou remédios ineficazes para o novo coronavírus. Representantes da associação já se reuniram no Palácio do Planalto com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Foi solicitado o apoio à associação Médicos pela Vida no patrocínio de um documento técnico, e ela o fez. Foi apenas a publicação nos jornais de um manifesto da associação em que a empresa assumiu o custo da veiculação”, afirmou Jailton Batista aos senadores. Ele ressaltou que o pedido de apoio financeiro partiu da própria associação.

As declarações do empresário geraram críticas por parte dos senadores da comissão. 

“O custo foi pago em vidas e com certeza a Vitamedic colaborou para que isso acontecesse ao continuar produzindo e comercializando um medicamento inútil, ineficaz”, afirmou o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). O senador disse ainda que a atuação da farmacêutica foi “criminosa” e que “estamos diante de um dos mais tristes depoimentos dessa CPI”.

“Tem noção de quantos amazonenses morreram por causa desse tratamento precoce? Pergunta para os amazonenses que perderam a vida com esse tratamento. E ainda tem sujeitos que defenderam isso”, disse o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

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