A Tabata Amaral pensa fora da caixa

A TABATA PENSA FORA DA CAIXA

Há dois temas que receberam um verniz progressista no Brasil. Primeiro, a previdência distribui renda e, segundo, universidade pública é sinônimo de combate à desigualdade. Os dados mostram o caminho inverso.

A previdência retira da sociedade para pagar de forma privilegiada uma minoria, que se aposenta mais cedo e recebe mais. Por outro lado, no Brasil, a universidade pública, principalmente em seus cursos mais cobiçados, é acessada por gente que tem condições de pagar uma mensalidade, enquanto os pobres se apertam para arcar com o custo das faculdades privadas.

Na política, é mais fácil aderir ao senso comum, muitas vezes, do que remar contra a correnteza. O sociólogo Émile Durkheim chamava isto de conformismo lógico.

Por isso que, quando a gente assiste a alguém tentando pensar fora da caixa, se espanta. Em duas entrevistas da deputada federal, Tabata Amaral (PDT-SP), ela toca em pontos sensíveis e difíceis do debate público. Não é o normal da política, sobretudo radicalmente polarizada como nos dias de hoje.

Ora, é possível ver por aí muita gente dizer que reconhece a necessidade de se fazer uma reforma da previdência. Mas, na prática, nunca o projeto é bom o suficiente. Tem sido assim desde FHC, passando por Lula e Dilma, chegando até Bolsonaro. A Tabata foi voto vencido dentro do PDT, pois queria, ao invés de votar contra uma reforma, apresentar uma contraproposta.

Além disso, ao reconhecer a necessidade do programa de cotas nas universidades, enfatizou que em algum momento teremos de cobrar mensalidade de quem pode pagar, até para que os pobres não fiquem presos em financiamentos estudantis intermináveis.

Poxa, isto é política responsável com coragem para enfrentar os problemas realmente de frente. A deputada parece que pensa mesmo fora da caixinha.

Eu separei os momentos em suas entrevistas em que ela toca nos assuntos citados. Vale a pena conferir.

Na Folha

“Para muitos é mais fácil votar contra, mas neste momento temos que ter coragem para lidar com a reforma da Previdência”, diz Tabata.

Ela defende que o PDT apresente uma contraproposta sobre a reforma da previdência.

Na BBC

“Agora, em um futuro, acho que vale sim uma discussão nesse sentido. Se uma pessoa tem condições de pagar por uma faculdade, acho que ela deveria. E quem não tem condições, não tem que fazer financiamento, não tem que fazer nada, tem que ter a faculdade pública.

Se você vê os carrões que estão na faculdade de física da USP, vê que a faculdade pública é para a elite hoje. Ou a gente muda o vestibular para dar chances iguais para todo mundo e para de financiar apenas um grupo da sociedade, ou a gente no futuro começa a cobrar de quem pode pagar e deixa a faculdade gratuita para quem precisa. Mas esse momento não chegou ainda”.

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