Até quando a Zona Norte será vítima de preconceito do restante de Natal?

Li na imprensa que o deputado estadual Kelps Lima (SD) falou em levar a sede da prefeitura do Natal pra zona norte, caso se torne prefeito em 2020.

Não sei se deveria ser exatamente a sede do poder a ser transportada, pois envolve custo e logística. Mas é fato que mais equipamentos públicos e administrativos devem ir para lá. O restante de Natal precisa superar esse indisfarçável preconceito com uma de suas áreas, a chamada ZN.

No linguajar cotidiano a dissociação entre Natal x Zona Norte pulula na descrição da cidade por natalenses, por formadores de opinião. Nos acostumamos com tal segregação.

Inclusive, o debate sobre o aeroporto de São Gonçalo do Amarante é atravessado, no fundo, pelo mesmo problema. Com o preconceito, como dizem, “de atravessar a ponte”. Afirmações desavergonhadas sobre como a entrada pela zona sul da cidade é bonita (e a zona norte também não pode ser?) e que o aeroporto novo é longe (para quem?) estão presentes nos blogs e nos jornais da taba. Esquecem que quase 40% da população mora na ZN. Não é possível fechar os olhos pra tanto.

Ainda assim, naturalizou-se a ideia de que quem mora na zona norte deve ir para a região sul receber determinados serviços, acessar possibilidades e oportunidades. Da mesma forma que tudo que reflui no percurso inverso é tido como absurdo e objeto de desaprovação. Durante décadas os natalenses residentes na zona norte vieram para região sul pegar seu avião, para ficar apenas em um exemplo. Por que não pode acontecer de outra forma?

O governo federal e o estadual demoraram em servir o novo aeroporto de SGA com a infraestrutura necessária. Isto sem dúvida é um revés. Porém, o equipamento semelhante de Parnamirim já não tinha a menor condição de abrigar o crescimento econômico do RN.

A alteração segue acertada. O problema do preço elevado das passagens nada tem a ver com o aeroporto de SGA, mas com a ausência de contrapartida quando o RN deu isenção fiscal no querosene de avião. Sem cobrança, as empresas simplesmente embolsaram os impostos que deveriam pagar ao governo do estado e mantiveram os mesmos valores.

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