Bolsonaro tenta desidratar Moro por dentro; BNDES será administrado por alguém manobrável em prol da narrativa da “caixa preta” do banco

O presidente Jair Bolsonaro tenta desidratar o ministro Sérgio Moro por dentro. Trata-se de operação inteligente e complexa. Enquanto lhe concede apoio nos microfones, o congresso age livremente contra o ministro. O governo não se movimenta no sentido de proteger o ex-juiz contra os vazamentos do The Intercept.

Agora, Bolsonaro age para retirar o ativo de Sérgio Moro. Ora, ele é quem pode rivalizar, pela extrema-direita, com o atual presidente em 2022. As ações de Bolsonaro contra Moro vão no sentido de empunhar e monopolizar a bandeira de antissistema e de “exterminador de petistas”.

As exonerações praticadas pelo pesselista são execrações públicas. A falta de civilidade para Bolsonaro é uma forma de tentar construir esse ativo antissistema. E, ao colocar alguém de terceiro escalão no BNDES, que tem ligação com Carlos Bolsonaro, a indicação clara é a de que o banco terá um fantoche em seu mastro. Servirá para tirar fotos, mas não mandará. Será uma forma de construir uma ideia de “caixa preta” dos tempos do PT dentro banco, para assim manter uma radicalização contra a esquerda no seio da sociedade. Bolsonaro seguirá ganhando espaço na perspectiva por ele imaginada, enquanto Sérgio Moro vai sendo escanteado e esquecido.

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