Centenário da Revolução Russa é celebrado na Câmara de Natal

Fotos: Verônica Macedo

A Revolução Russa de 1917 é considerada um dos principais eventos da história contemporânea, tendo marcado o curso do século 20 e reverberando até hoje. Em 7 de novembro, ela completará cem anos. Para homenagear e recordar este acontecimento histórico, a Câmara Municipal de Natal, por proposição do vereador Fernando Lucena (PT), realizou uma sessão solene, nesta quinta-feira (19), que contou com a presença de líderes de centrais sindicais, partidos de esquerda e movimentos sociais organizados. Um dos pontos altos do evento foi a participação do coral da Escola de Música da UFRN, que entoou o hino da Internacional Socialista.

Em seu discurso, o vereador Fernando Lucena ressaltou o legado do episódio. “Não podemos falar em direitos sociais e trabalhistas sem lembrar da Revolução Russa, que teve em Lenin seu artífice e chefe inconteste. Só pra citar alguns exemplos, décimo terceiro salário, férias remuneradas e licença maternidade são heranças deixadas pelo idealismo daqueles operários russos que tiveram a coragem de enfrentar a tirania do grande capital, inclusive muitos pagaram com a própria vida o preço pela vitória do socialismo. Homenagear estes gloriosos camaradas é questão de justiça!”, afirmou o parlamentar.

“Portanto, companheiros, é tempo de renovar as utopias, as forças, as esperanças. Muitas conquistas do povo trabalhador estão ameaçadas pelo avanço do fascismo. Vivemos tempos difíceis. Governo de golpistas no Brasil, acensão de Donald Trump nos Estados Unidos e crescimento da extrema-direita na Alemanha são sintomas do avanço de uma onda reacionária em todo mundo. Diante deste cenário, as forças progressistas precisam estar unidas e mobilizadas para enfrentar a ofensiva capitalista”, defendeu.

Às vésperas do movimento revolucionário, a Rússia era uma das maiores potências europeias, porém, enquanto as outras nações cresciam e faziam reformas, a Rússia não se modernizava. A sociedade russa, cerca de 170 milhões de pessoas, desenvolvera-se num imenso território, com mais de 50% da população composta por povos de outras nacionalidades. Essa sociedade eclética estava sob o jugo de um Estado despótico cujo poder absoluto se concentrava nas mãos do czar (imperador).

Sendo um país predominantemente agrário, a aristocracia rural detinha o controle da propriedade da terra. O processo de industrialização, por sua vez, iniciara apenas nas última décadas do século XIX, graças ao afluxo de capitais estrangeiros (ingleses, franceses e alemães). A partir daí, surgiram gigantescas empresas que concentravam um enorme contingente de operários, submetidos a condições extremas de exploração: jornadas de trabalho entre 12 e 16 horas, baixos salários, falta de segurança e inexistência de uma legislação trabalhista, além da proibição de organização de sindicatos.

Tudo isso gerou um clima de efervescência revolucionária que tomou conta da sociedade. Manifestações espontâneas de rua, greves operárias, atos de insubordinação dos soldados contra os comandos militares culminaram na deposição do regime czarista e prepararam o terreno para a revolução, que derrubou a ordem burguesa.

A vereadora Natália Bonavides (PT), evocou o significado histórico universal da revolução que, segundo ela, determinou uma mudança radical em todo desenvolvimento da sociedade contemporânea. “Aquela luta é a mesma luta de hoje. É a luta para que mulheres e homens sejam livres para desenvolver seus potenciais. Porque só através da construção do socialismo teremos um mundo sem injustiças”, pontuou.

Representando o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), o ex-vereador George Câmara disse que a Revolução Russa constitui o maior movimento popular da história. “Obra de uma luta titânica dos trabalhadores por estabelecer o seu partido de vanguarda. Pela primeira vez, o povo dirigido pelo Partido Comunista, triunfou em sua luta de morte contra o imperialismo e estabeleceu o domínio do proletariado sobre a base da sólida aliança com as massas de camponeses, principalmente pobres, e demais classes revolucionárias”.

Para o professor Juliano Siqueira, a história da classe trabalhadora pode ser dividida em antes e depois do processo revolucionário russo. Ao fazer uso da palavra, ele argumentou que todas as conquistas operárias são heranças dos acontecimentos de 1917 e que não há saída para a humanidade fora do socialismo. “Revoluções acontecem. As massas entram em cena derrubando governos. Mas sem uma substância revolucionária com programa e determinação igual aos dos bolcheviques, a “revolução” fica pela metade e incapaz de vencer. Essa é a grande lição da Revolução Russa”, concluiu.

 

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