Com a apresentação da coronavac, Doria vence guerra da vacina contra Bolsonaro; o presidente tenta atrasar planos estaduais para diminuir derrota

Em coletiva de imprensa desenvolvida ontem (7), o ministro da saúde Eduardo Pazuello estava nervoso e existia razão para tanto. Ele não apresentou uma data precisa para o início da vacinação, atingíamos 200 mil óbitos pela covid-19 e o instituto Butantan apresentou os dados de eficácia da coronavac. O presidente Jair Bolsonaro entrou numa queda de braço contra o governador de São Paulo João Doria em que saiu derrotado. Ficou para o ministro atacar a imprensa e praticar outros diversionismos.

Com o pedido do uso emergencial do imunizante da Sinovac à Anvisa, o desespero agora do governo federal é impedir que Estados mais adiantados em seus planos de vacinação iniciem antes do que a pasta chefiada pelo dito especialista em logística. Para tanto, o ministro informou que ninguém pode começar antes da união. Inclusive, segundo ele, o pressuposto foi aprovado através de medida provisória baixada pelo executivo. Certamente, a disputa enveredará pelos tribunais.

A preocupação é eminentemente política e o horizonte é a eleição de 2022. Bolsonaro só pensa naquilo. Doria é um presidenciável e pode chegar com o ativo de ter sido o primeiro a iniciar a vacinação contra o coronavírus no Brasil. Não é pouca coisa.

O anúncio da compra de 100 milhões de doses e a distribuição da coronavac em todo o território brasileiro já representam uma derrota de Bolsonaro, que não faz muito tempo, desautorizou a utilização da mesma pela união sob a alegação de que não era segura. Se rendeu a necessidade de acessar o primeiro imunizante em território brasileiro com viabilidade técnica. Politicamente significa que comeu na mão do adversário.

Como é de praxe, o presidente não se preparou para enfrentar uma questão prática. A Pfizer divulgou em nota que ofereceu 70 milhões de doses de sua vacina em agosto para entregar em dezembro, proposta recusada pelos militares que hoje comandam o ministério da saúde. O governo apostou tudo em uma única vacina – a astrazeneca. Com o atraso em seus estudos, os oficiais ficaram com as calças nas mãos.

É sempre assim. A gestão Bolsonaro é muito boa de gogó, de guerra cultural. Porém, é incapaz de resolver algo de concreto que não passe pela radicalização e divisão brutal da sociedade.

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