“Eleição disruptiva: por que Bolsonaro venceu”

“ELEIÇÃO DISRUPTIVA: POR QUE BOLSONARO VENCEU”

Comprei pelo Kindle e não a obra “a eleição disruptiva: por que Bolsonaro venceu” dos autores são Maurício Moura e Juliano Corbellini. Enchi o saco de livro digital. A minha impressão é a de que o nível de concentração atingido e de retenção de informação são menores quando não estou diante da velha folha de papel.

A versão física chegou e passei por ela hoje. É um texto de apreensão rápida. São cerca de 150 páginas. Trata-se da primeira tentativa mais sistematizada de análise – com dados – sobre a vitória de Bolsonaro. Os autores são do Instituto Big Data, que trabalharam no pleito e são experientes em eleições.

Algumas afirmações que considero importantes:

1. A facada não desempenhou um papel tão central assim na campanha. Os autores apontam números que mostram o viés antissistema já se desenhando no período pré-eleitoral.

2. O PSDB ajudou a implodir um sistema que o mantinha competitivo. Foi fortemente prejudicado pela contestação de 2014 e apoio ao governo Temer.

3. O PT foi engolido na classe média pelas suas promessas – não efetivadas – de ética na política. O livro traz exemplos do tempo em que o PT usava e abusava de “ratos” como metáfora contra os seus adversários.

4. O que nós bem pensantes imaginávamos ser fraquezas de Bolsonaro, na verdade sedimentaram sua força eleitoral. Dizer que não sabia de economia foi encarado como sinal de honestidade e autenticidade. Nunca ter ocupado qualquer papel de destaque e influenciado a política nacional, mesmo sendo deputado há três décadas, eram demonstrações cabais de que Bolsonaro não foi cooptado pelo sistema apodrecido.

Por isso, o perfil tosco de Bolsonaro, mesmo que a facada não tivesse ocorrido, não seria um revés. A ida aos debates não “denunciaria” o seu despreparo. O eleitor não queria alguém com “preparo”. Ansiava por algo contra “tudo que está aí”. Até as falas racistas e preconceituosas de Bolsonaro foram apreendidas pelos eleitores como um enquadramento de alguém que se mostra por inteiro, sem artificialismo sistêmico-marqueteiro.

5. A lava jato representou aos olhos do eleitor a pá de cal do “sistema”. A lava jato e o antipetismo foram forças propulsoras capazes de sobrepor o “lulismo”, que os autores distinguem do petismo. O petismo seria, segundo a obra, uma ideia menos pujante. O lulismo teria a capacidade de dialogar com estratos da sociedade que o PT não atinge.

6. O medo da violência e o combate à corrupção foram os principais anseios. Os governos do PT deixaram essa bola – a da segurança pública – quicando na pequena área para alguém colocar para dentro.

7. Uma tecnologia – a das redes sociais – começou a rivalizar com a TV e o rádio. Mas é preciso mais estudos sobre o tema. Não se sabe exatamente se a força do tempo de tv, de grandes coalizões e do marketing do PT/PSDB foram apreendidas como “demonstrações do sistema”.

O livro traz muitos dados quantitativos e qualitativos. Certamente, outras obras mais aprofundadas virão. Mas trata-se de um bom começo.

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