Estudantes do Estado se posicionam contra retrocessos na educação

Estudantes do Estado se posicionam contra 

retrocessos na educação

No último sábado (16), estudantes de Natal, Região Metropolitana e interior do Estado, aprovaram durante a plenária final, do 1° Encontro Metropolitano de Grêmios e Coletivos Estudantis, a Carta do Atheneu. A carta final reflete os debates que aconteceram ao longo de dois dias no Colégio Estadual do Atheneu Norte-Riograndense, mais antiga instituição de ensino do Estado, sobre temas essenciais para a Educação.O evento reuniu na capital do Rio Grande do Norte cerca de 300 estudantes secundaristas, 80 delegados e 40 grêmios e coletivos.

Nela, os estudantes se colocam à disposição da luta e se posicionam contra os cortes nos investimentos públicos, reformas trabalhista e da previdência, e o “consórcio golpista” que se formou no Congresso Nacional, e “que tem se empenhado para desmontar totalmente o Estado brasileiro”. Os secundaristas também se posicionam contra “a Reforma, leia-se deforma, do ensino médio, que foi aprovada sem nenhum tipo de diálogo com a classe estudantil” e o PL da Escola sem Partido (Lei da Mordaça). “Escola sem partido e sem pensamento crítico é ditadura e isso nós não vamos admitir!”, diz trecho da carta.

A Carta do Atheneu também ratifica o combate a todas as formas de opressões como uma tarefa de todos. “O machismo, racismo e lbgtfobia estão na nossa ordem do dia. A construção de um mundo mais fraterno, onde o amor seja livre e amar não seja um crime. É tarefa de todos os secundaristas travar a luta nesse campo”.

Por último, a Carta do Atheneu convoca os estudantes para o 16º Congresso da Associação Potiguar dos Estudantes (APES), que será realizado em novembro de 2017, a fim de fortalecer e engrandecer cada vez mais o movimento estudantil do Rio Grande do Norte.

(Leia a carta na íntegra abaixo).

CARTA DO ATHENEU


            Nós, estudantes secundaristas de Natal e de diversos municípios do Rio Grande do Norte reunidos no 1º Encontro Metropolitano de Grêmios e Coletivos Estudantis da União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Natal – UMES-Natal, que conta com a participação de 40 grêmios e coletivos estudantis e mais de 200 participantes, após dois dias de intensos debates sobre os rumos das nossas cidades, do nosso estado e país, apresentamos a sociedade a Carta do Atheneu. Nela, concretiza-se não apenas um conjunto de opiniões, mas a disposição de luta pela construção de outra realidade, bem diferente da atual, que possa ser capaz de tornar realidade todos os nossos sonhos.


Nos últimos anos o Brasil viveu um intenso momento de transformações sociais significativas, que proporcionaram ao povo brasileiro o acesso a vários direitos historicamente negados, sobretudo, às classes mais pobres do nosso país. Agora estamos vendo esses mesmos direitos arduamente conquistados sendo retirados à surdina e na calada da noite. O consórcio golpista que se formou no Congresso Nacional tem se empenhado para desmontar totalmente o Estado brasileiro e, infelizmente, têm conseguido fazer isso. A PEC 55, que limita os investimentos nos serviços públicos de seguridade social pelos próximos 20 anos, é um exemplo desse desmonte e que tem impacto direto em áreas como educação, saúde, assistência etc.


Várias das nossas riquezas nacionais estão sendo entregues ao capital estrangeiro e isso além de fragilizar nossa economia, também dissolve a soberania do nosso povo. As reformas trabalhista e da previdência ceifam os nossos direitos a um trabalho digno e a possibilidade de um dia aposentar-se. Não aceitaremos essa cantilena de crise. Se existe crise, a culpa não é nossa! A culpa é dos que sempre saquearem o nosso país e que insistem em roubar os recursos da educação, da cultura, e de todas as áreas em que o povo é o centro. E para quê? Para continuar a priorizar o pagamento da dívida externa e engordar os bolsos dos banqueiros. Já chega! Nenhum centavo a menos!


Agora mais do que nunca vivemos um momento intenso de luta e RESISTÊNCIA. É de total responsabilidade da nossa geração não permitir que isso aconteça! Nossa organização no movimento estudantil é crucial para fazer o enfrentamento e barrar todo esse retrocesso. Precisamos convencer o povo de que a saída é sempre pela política, por isso, a formação de uma frente ampla, que congregue setores progressistas e mais avançados da sociedade com a pauta central: #DiretasJÁ!

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