Indicação do filho de Rosalba para vice de Carlos Eduardo desconsidera o sentimento do eleitor

Há muitas eleições que o cidadão norte-riograndense vem pregando peças contra os acordos políticos pelo alto no RN. A última ocorreu em 2014 com a vitória de Robinson Faria para o governo e Fátima Bezerra para o senado, enfrentando uma ampla estrutura partidária e financeira. Mas a classe política vive um certo delay. Explico.

Ter muitos apoiadores continua sendo questão de relevo. Uma forma de entrar nos municípios, contar com gente para segurar sua bandeira e gozar de precioso tempo de tv. Não se trata de desconsiderar tal aspecto. Só que é preciso chover no molhado. O sentimento do eleitor deve ser levado em conta. Ele produz uma avaliação e chega ao seu veredito, que se materializa na urna. Não é mera “massa de manobra”. Ora, parece que isto foi esquecido hoje por grupos políticos experientes.

Rosalba indicou e Carlos Eduardo Alves aceitou um pré-candidato a vice-governador sem qualquer experiência. Não há nada aqui contra Kadu Ciarlini, filho da prefeita e agora oficializado vice-governadorável. Mas o posto que ele ocupará é muito importante e ele não tem currículo para tanto, uma história política que o habilite. Tanto é que toda a imprensa norte-riograndense chama Kadu em seus títulos como “filho de Rosalba”. Não é uma maldade. Pode até ser que venha a possuir um dia, mas hoje ele simplesmente não tem expressão própria. Ironicamente, porém, Rosalba assim justificou o apoio ao ex-prefeito Carlos Eduardo Alves: “o RN precisa de experiência”.

O sentimento do eleitor, que está com raiva de política, não foi levado em consideração. Qualquer qualis hoje aplicada revela, independentemente do viés ideológico, que o cidadão quer ser liderado por alguém preparado, com gabarito e mãos calejadas por uma trajetória de vivência político-administrativa. O custo eleitoral sobre a indicação de alguém ainda muito jovem foi minimizado por uma confiança na estrutura que Rosalba trará. Só que cabe lembrar: o dono do voto costuma punir quem o esquece. Certamente, o vice de Cea será ponta de lança para ataques de seus oponentes.

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