Justiceiros sociais, escrachadores e identitarismo

JUSTICEIROS SOCIAIS, ESCRACHADORES E IDENTITARISMO


É um debate bem interessante. As causas de gênero, do combate ao racismo, etc, extremamente importantes, são transformadas, a partir da pretensão de lugar privilegiado de fala de seus líderes e militantes. As falas de quem não se encontra naquele espaço visto como privilegiado de interlocução são enquadradas pejorativamente. Por exemplo, ser branco e/ou homem e/ou de classe média são pontos que impedem deste comentar e/ou se reconhecer nos anseios daquele grupo porque “só quem sofre” tem autoridade para dizer algo sobre o assunto.

As táticas dos justiceiros sociais caminham pelo horizonte do escracho e estigmatização às avessas, impossibilitando qualquer pretensão ao argumento universalista e fusão de horizontes com outros grupos. Formam se guetos que se auto concebem como superiores moralmente e que não agem na perspectiva da conscientização da sociedade sobre o tema, mas do policiamento. A tática não é da superação do preconceito e ampliação do espaço argumentativo, mas de fulanização e aniquilação de inimigos.

O “debate” é estabelecido no âmbito da “lacração”. Isto é: alguém que fala e “diz tudo” sobre o problema, descaracterizando a possibilidade da discussão caminhar como um ambiente aberto de contínua reflexão e reconstrução.

A base filosófica é a de desconstrução em estado de alerta de risco contra a causa. Espaços mútuos de confiança são substituídos por contextos de silenciamento e ansiedade. Na suposta defesa da justiça social, qualquer passo em falso representa a base para a destruição moral e, às vezes, física de uma pessoa.

O irônico é que se formam “príncipes” autorizados a falar pelo movimento, pelos pobres ou mulheres e que mobilizam sua força política dentro do grupo para atacar quem fala sobre a temática sem “pertencer” ao grupo, obtendo ganhos materiais e espirituais em torno daquilo que encara como “sua” temática. Em âmbito acadêmico, pertencer a uma causa gera legitimidade para ingressar em programas de pós-graduação e se tornar docente. ONGs são abertas com dinheiro público e movimentos em torno de si geram visibilidade para o agente privilegiado pela sua posição de fala. Nos partidos possibilita controlar bandeiras, etc.

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