Macartismo à brasileira: impostura de Fux, ao antecipar posição sobre Lula, é generalizada

Macartismo à brasileira: impostura de Fux, ao antecipar posição sobre Lula, é generalizada

MACARTISMO À BRASILEIRA
Estou abismado com o fato de que procuradores e juízes combatentes da corrupção sequer citam leis mais na mesma razão com que falam pelos cotovelos e criam clima político de caça às bruxas.

Não tocam em aspectos técnicos. Apenas cindem o mundo entre quem é a favor da lava jato e qualquer crítica é tida como apoio aos corruptos. Uma espécie de macartismo à brasileira.

Em que pese o ataque se voltar mais contra Gilmar Mendes, há diversos exemplos de discursos até sobre a qualidade das novelas brasileiras. A conduta inadvertida é generalizada.

Em entrevista, o ministro Fux já disse o que acha de Lula participar da eleição. E como ficam os argumentos favoráveis e contrários? Ele não precisa analisar. Já tem opinião formada. Será um juiz ou estamos diante de um profeta exemplar?

As tais associações não repreendem. Apenas funcionam como chanceladoras. O CNJ e o CNMP demonstram suas irrelevâncias. A OAB deixa que o exercício da advocacia seja cotidianamente desrespeitado, com denúncias de grampo contra advogados e falas absurdas em que o defensor legal é posto, por tabela, como aliado de conduta criminosa do cliente.

O coordenador da Lava Jato, que até ontem se preocupava com a liberdade do mundo jurídico para agir, faz um ataque inaceitável contra um ministro do supremo, este também ouvidor do Brasil de plantão.

Mas no caso de Cabral, o ministro Gilmar Mendes agiu bem. A fala do ex governador, citando a loja de bijuterias de Bretas, pode ter sido infeliz, mas não há ali qualquer intenção de ameaçar o magistrado. Preso tem de ficar próximo da família, quando não apresenta perigo. A medida de Bretas, ao querer mandar Cabral para o isolamento em outro estado, foi de clara intimidação e abuso contra o réu. Bretas deveria tomar o caso como lição e parar de falar bobagem nos jornais. Em entrevista ao valor econômico, disse que já sabia como iria condenar Adriana Anselmo, só estava em dúvida sobre a tipificação. Se o judiciário agisse com seriedade, o pedido de substituição do magistrado deveria ter sido aceito, pois ele antecipou uma sentenca. Não foi.

Apenas para ficar nos nomes mais famosos: Marcelo Bretas, Sérgio Moro, Rodrigo Janot, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Dallagnol, Carlos Fernando, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes têm antecipado julgamentos pela imprensa, feito ataques diretos aos poderes, falando fora dos autos e desrespeitado outras questões de decoro.

Não haverá superação da crise enquanto este tipo de comportamento não acabar.

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