Mapeando os argumentos de quem defende o ditador da Venezuela

MAPEANDO OS ARGUMENTOS DE QUEM DEFENDE O DITADOR DA VENEZUELA

Os argumentos em defesa da ditadura do Maduro na Venezuela são incríveis. Vou tentar produzir um mapeamento dos pontos de vista, apresentando suas limitações e absurdos práticos. Um apanhado do que estou lendo nas redes sociais.

1. Ou você é a favor da intervenção americana e contra o Maduro ou você é contra os EUA e favorável à ditadura madurenha. Claro, viceja aqui aquele antiamericanismo juvenil. Por esse viés, não é possível defender uma solução dialogada e ser contra os crimes do ditador venezuelano;

2. O ponto anterior é ligado a uma conspiração mundial em busca do petróleo venezuelano. Por esse prisma, Maduro é um presidente legítimo e só está do jeito que se encontra por ataques imperialistas de todos os demais países. Ele não cometeu crimes, não fraudou sua eleição, não reescreveu a constituição quando perdeu o pleito legislativo, criando um legislativo paralelo. Não mudou o método de composição dos tribunais para mandar neles. Não ataca a população. Aí na complexidade (sic) vendida por alguns, os agentes internacionais se dividem em dois grupos simples: ou apoiam os EUA ou não.

3. Há uma variação dentro dos defensores do ditador da Venezuela. Alguns admitem os crimes e a falta de legitimidade para ser presidente do Maduro. Ocorre que acham a ação justificada em face da atuação de uma suposta oposição de direita e que também anda de mãos dadas com o imperialismo. Para eles, toda a oposição é um grupo radical e monolítico. Eles também temem que, caso aconteça uma eleição, um presidente de direita venha a lograr êxito em sua jornada. Tipo assim: é melhor Maduro mandando do que um “Bolsonaro” leve por lá. O desejo do eleitor vira detalhe.

4. Mas o mais notável é a explicação – seguirei surrando as palavras – sobre as fontes de informação. Quem critica os crimes do Maduro não percebe que, na verdade, a mídia mundial funciona como uma matrix, geradora de uma consciência comum, mentindo e enganando. Os jornais não competem entre si, não há diferenças ideológicas entre eles. Os relatos não são feitos de pontos de vista distintos, chegando aos mesmos resultados (ou não). E o usuário de tal argumentação é um cara nada modesto. Só ele consegue enxergar esse complô mundial – espécie de ursal midiática e geopolítica anti-venezuela -, assistindo e recebendo informações da TV do governo do Maduro, que neste momento deve, sem dúvida alguma, gozar de toda isenção para descrever o que lá ocorre. Eu fui irônico, cabe avisar.

Deixe uma resposta