Mundo acadêmico x mundo político

MUNDO ACADÊMICO X MUNDO POLÍTICO

Transito de alguma forma por esses dois mundos. Diante disto, não há como não compará-los. Melhor: acabo sempre fazendo.

A política tende a ser mais objetiva nos acordos entre os agentes. Existe sim vaidade entre suas lideranças e assessores mais antigos. Porém, é algo que é mais controlado pelo processo de reflexividade que a necessidade de ganhar o poder impõe. Claro, há saídas de percurso. Garibaldi, por exemplo, foi para uma campanha perdida em 2018, assim como Fátima foi para uma em 2008.

Percebo também que, na correlação entre o poder da liderança e seus desvios de rota por perda da razão instrumental, a distância tende a ser menor. É um tipo de relação cotidiana pautada por uma ação fortemente monitorada no sentido giddensiano. Os custos de um erro são brutais.

O mundo acadêmico vai no sentido inverso. Há uma distância enorme entre o poder que um professor ou um aluno – já como doutorando – posssui e a vaidade que ele exala. As conversas são cheias de não me toque. É um negócio que nunca vou me acostumar. Falo em vaidade no sentido mesmo de turvar a capacidade de raciocínio, por um lado; e do agente se por num patamar de poder que objetivamente não se encontra, por outro.

Os ressentimentos ganham um revestimento cumulativo inacreditável. Enquanto na política o jogo de interesses leva a união de pessoas que, no passado, aparentemente se odiavam, na dita academia isto parece ser mais complicado. O exercício da perversidade se faz sempre presente. O político, ao contrário, não tem tempo a perder. Não que ele não pratique sua vingança gratuita, mas o olhar do político é sempre para frente e pouco para o que já foi. Repito, seu horizonte é a manutenção competitiva pelo poder. O “status de intelectual” gera uma lógica de “orgulho ferido” em quem vive na universidade, inflando brigas e confusões.

Na política, as cartas tendem a ser claramente postas na mesas. O despiste é sempre para fora, nunca para dentro do grupo. Na universidade, a coisa vai no sentido inverso. As maiores “sacanagens” são postas, também para dentro do grupo, como algo sublime. As maiores puxadas de tapete são envernizadas com uma áurea de justiça e superioridade moral.

A luta pela ocupação de pontos de poder para impor o rumo na organização da vida em sociedade – cargos, postos de mando, etc – acontece nos dois mundos. Mas a tentativa de formação de um grupo político, através da ocupação de espaços, na universidade é mais camuflada. O que irá diferir um mundo do outro é a necessidade que a política estabelece de elevado desempenho competitivo pela rotina eleitoral. Nunca uma nulidade política continua a mandar num grupo com a perda de sua relevância. Na universidade não é assim. Professores com pífia produção ou que escreveram algo de relevo há décadas atrás, seguem influenciando. Formam-se hierarquias distintas.

A produtividade num gabinete de um deputado é mais uniforme do que na de um departamento acadêmico. Na universidade, uma pequena minoria de fato produz algo. A maioria tem relação burocrática com a vida acadêmica. Suspeito fortemente que a maioria sequer abre livros com frequência, questão cara ao ofício. Num gabinete isto não existe. Todo mundo tem sua função. Não que não exista pessoas encostadas. Tem. Mas elas figuram como exceção. E mais uma vez a questão fundamental é a busca pelo poder e sua manutenção. O desperdício de recursos financeiros e humanos em um gabinete será sinônimo de derrota na próxima eleição e dificilmente o política aceita tal possibilidade.

São algumas questões que vejo nos dois mundos comparados. De repente, há mais disparidades ou mesmo as que listei estão erradas ou fazem parte de situações específicas. Mas, ainda assim, acredito que faz sentido.

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