Na velha política, seria uma catástrofe anunciar férias em hotel enquanto a esposa faz cirurgia

Muita gente reclama do artificialismo da encarada “velha política”. A demonstração de uma família harmoniosa, típica de comercial de margarina, da roupa sempre impecável e do cabelo bem cortado. Sério, tenho saudade disso. Ainda estou com o pessoal da velha guarda. Ser grosseiro, andar mal vestido, entrar na casa de milhões de pessoas de chinelo e pijama, através da Tv, são mensagens insofismáveis que não guardam qualquer proximidade com autenticidade.

Homens públicos devem passar bons exemplos. Não que não sejam portadores de defeitos. Não é isso. Mas o papel deles é de liderança e não de produtores de uma avaliação psicanalítica de uma sociedade.

Escrevo tudo isso para falar que, nesses tempos bicudos, nada parece mais funcionar. Os manuais de marketing político de um passado não muito distante devem ser rasgados.

Veja. Um político profissional jamais divulgaria férias de ano novo em um hotel enquanto que sua esposa, a primeira dama, se submete a uma cirurgia. E, convenhamos, não estamos falando de qualquer político, mas de Jair Bolsonaro eleito como salvador da família brasileira.

O que macularia a imagem de um casamento de qualquer reles mortal e seria ainda mais grave na figura de um presidente, hoje passa em brancas nuvens. É possível, no máximo, que o assunto seja comentado por meia dúzia de feministas. São os ventos da nova política.

Deixe uma resposta