10/06/2016
Derrota acachapante em Natal deve servir de alerta para quem faz oposição ao prefeito Carlos Eduardo Alves
Daniel Menezes Daniel Menezes

Foi inegavelmente uma lavada. Nunca, desde o primeiro da redemocratização, um prefeito tinha sido eleito (reeleito no presente caso) com uma votação tão expressiva em Natal. Com os seus 63,42% dos votos, Carlos Eduardo teve quase cinco vezes a votação do segundo colocado, Kelps Lima. Mas é preciso saber interpretar o resultado. Sem desmerecer a vitória incontestável de Carlos Eduardo Alves, as urnas mandaram um recado para a oposição em Natal - não aceitaremos incursões de última hora e projetos meia-boca.

Quando iniciou a campanha, o prefeito Carlos Eduardo Alves tinha cerca de 30% de bom e ótimo, conforme as pesquisas. Tal índice não é suficiente para fazer com que aquele que busca a reeleição leve em primeiro turno. Para isto ocorrer, faz-se necessário obter um patamar mínimo de 40%, conforme análise históricas dos processos de reeleição em que o governante permanece já a partir do resultado de primeiro turno. Ou seja, existia gente insatisfeita com Carlos Eduardo Alves.

Mas, durante o pleito, a avaliação de Carlos Eduardo Alves só cresceu, de acordo com todos os levantamentos feitos em Natal. Enquanto isso, a rejeição aos demais candidatos subiu na mesma medida, sem o incremento de suas respectivas votações. 

Gostaria de estabelecer uma hipótese, que pode parecer redudante, mas merece maior análise. Existia base de rejeição a gestão do prefeito, para levar o pleito para o segundo turno. Só que, ao ver as possibilidades, o eleitor se desgostou e preferiu mantê-lo.

É fato concreto que o prefeito tinha maior tempo de Tv e levava vantagem por mostrar realizações já consolidadas, enquanto que os demais teriam de partir de um "convencimento do zero". Não seria honesto desconsiderar outros fatores. Só que o dever de casa da oposição não foi feito durante os últimos quatro anos - aliás, como eu alertei diversas vezes neste modesto blog - e, mesmo que a eleição tivesse o prazo anterior de três meses, suspeito que o resultado seria não muito distante do que ocorreu.

Além de nenhum dos postulantes lutar pela apresentação de uma alternativa durante todo o mandato de Carlos Eduardo Alves, todos deixaram ele voar em céu de brigadeiro. Praticamente não se falou em atraso de salários, problema de reposição de lâmpada, fechamento de leitos em hospitais de Natal e obras e serviços com indícios de corrupção, questões existentes e presentes no primeiro mandato de Carlos Eduardo Alves. O prefeito pode dizer livremente que só indicava quadros técnicos e não fazia política com o tema da segurança em horário político na Tv porque o eleitor não tinha na memória, por exemplo, a indicação de Osório Jácome, irmão do deputado federal, Antônio Jácome, um pastor formado em letras e sem nenhuma experiência para a sensível secretaria de segurança social. A oposição não fez o seu trabalho.

Na campanha, era muito difícil ativar uma lembrança sobre aspectos negativos porque ninguém trabalhou para incuti-la na cabeça do eleitor. Nem muito menos disse: há outro caminho sólido que pode ser seguido.

É fato que é custoso ser oposição e gera bastante trabalho. Porém, ser oposição também tem seus atrativos e os candidatos com mandato, com certeza, estão sub-otimizando o potencial dos seus assessores. Fernando Mineiro, Kelps Lima e Marcia Maia têm 37 assessores de partida, apenas no mandato. Há ainda os que são indicados dentro da Assembleia. Tem gente recebendo sem produzir o que deve. Bem, falo isso porque parto do princípio de que estes postulantes se mostraram de oposição, mas o labor que dignifique tal posição não apareceu de 2012 a 2016 - dados, investigações sobre obras, alternativas, discursos na tribuna, nada.

A oposição em Natal deve se repensar. Não é possível brincar de fazer política e depois botar a cara limpa, como se o eleitor não fosse notar. Marketing consegue produzir uma melhor apresentação - e os de Márcia, Mineiro e Kelps foram bem feitos, cada um a seu modo -, mas não faz milagre e não inventa cenários. O recado foi dado nas urnas. Agora é esperar e sonhar com uma conduta distinta, para o bem da cidade que perdeu com o bom poder fiscalizador de quem se encontra distante do poder. Do contrário, nova pisa vira a jato. 





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