Sobre o filme Bacurau e a equação nefasta que trava o RN

SOBRE O FILME BACURAU E A EQUAÇÃO NEFASTA QUE TRAVA O RN

Sempre toco nesse assunto. Penso que há uma equação nefasta presente em nosso RN: governos pouco pressionados por uma sociedade civil desorganizada, porosos aos fortes interesses das corporações e, por fim, frágil esfera pública de debate e carente da elaboração de bons consensos norteadores para a jangada potiguar.

Diante disso, tudo acaba caindo nas costas da gestão da vez, pois é fácil fulanizar e apontar para o(a) governador(a) A ou B. O difícil é enfrentar tal configuração.

Cito um caso concreto sobre como isso reverbera na prática. O governo do RN gastou pouco mais de 90 mil reais na pré-estreia do filme Bacurau em Parelhas. Li em algumas colunas e jornais críticas contra algo que foi encarado como dispêndio. Existiu até quem falasse em salários atrasados de servidores, para dizer que o governo não deveria contribuir com o evento. As corporações tiram uma casquinha, claro.

Poxa, é um ponto de vista negativo. O RN ganhou a imprensa de todo o país. Apenas uma propaganda de uma página em um jornal de circulação nacional se aproxima dos 500 mil. Ou seja, ficamos no lucro, não?! E o filme pode concorrer ao Oscar. É crível supor que foi até um recurso bastante modesto do ponto de vista do que a película pode render ao RN em termos de visibilidade. Não nos esqueçamos: nossa principal indústria é a do turismo.

É o RN velho de guerra. A sociedade não interage, a discussão não sinaliza para boas soluções e, nessa lógica, ganha o grupo mais anabolizado pela sua capacidade de organização e imposição de agenda.

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