Tentativa de cercear o direito ao luto individual e coletivo é mais uma face do extremismo brasileiro diante da pandemia

O último fim de semana foi marcado pelo número de 100 mil mortos pela pandemia de covid-19 no Brasil.

Quem tem um mínimo de sensibilidade para com o dor do outro e respeito diante da tragédia coletiva, propagou preces, palavras pesar e fez discursos na perspectiva de amparar o sofrimento que parcela não desprezível da sociedade brasileira atravessa. O problema é que o luto foi politizado. Pior. A extrema direita trabalha para interdita-lo.

Como a marca é sinal do que o negacionismo científico e o desvario de planejamento são capazes de fazer, para os extremistas restou dizer que quem atenta para a chocante situação torce pelo vírus e comemora as mortes. É uma saída pela tangente desumana que busca silenciar a dor de uma sociedade, para salvar seus líderes de ocasião.

E, como sempre, fica aquela inversão típica de uma ambiência em que verdade vira detalhe: acuse o outro daquilo que na verdade lhe move. A politização de respostas que deveriam ser técnicas foi capaz de criar o pior dos mundos.

E a radicalização pela supressão do luto demonstra o que um grupo extremista no poder é capaz de fazer.

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