Uma tragédia para não ser esquecida

UMA TRAGÉDIA PARA NÃO SER ESQUECIDA

A morte da professora e bailarina Gislâne Cruz no último domingo, vítima de um condutor visivelmente alcoolizado, que foi para a contramão na avenida Prudente de Morais e pegou o carro em que ela vinha de frente, demonstra que precisamos voltar a promover amplo debate sobre bebida no trânsito. O Detran/RN já implementou campanhas capilarizadas sobre o assunto. Porém, é preciso mais. Ou melhor, o ideal é que nunca pare.

A comoção toma conta das redes sociais do RN por motivos óbvios. Uma vida toda pela frente foi ceifada de forma revoltante. Mas é fundamental também gerar um sentimento de responsabilidade social e empatia. Naquele carro em que a professora se encontrava poderia ser qualquer um de nós. E no outro veículo, o que promoveu a tragédia, também poderia se encontrar muitos dos que residem por aqui.

Natal ainda é uma cidade em que álcool e direção se misturam. Fala-se muito a respeito de outras drogas e esquecemos que, em qualquer bar da capital, é possível assistir a pessoas que bebem e depois vão embora em seus carros. “Estou bem para dirigir”, dizem. Em grupos de WhatsApp não é incomum ler avisos de terceiros sobre realização de blitz da polícia.

A cultura da afirmação pelo álcool captura os jovens da taba muito antes dos dezoito anos. A afirmação da masculinidade e do empoderamento feminino passam pelo consumo de cerveja, cachaça, uísque ou vinho. É uma dura realidade a ser enfrentada com ensino crítico sobre o assunto nas escolas, com discussão franca e aberta.

Que o assunto não deixe precocemente as páginas dos jornais e que o culpado, com direito a ampla defesa, receba a pena máxima prevista em lei.

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